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O SANTO ANSEIO AO OFICIALATO

O SANTO ANSEIO AO OFICIALATO

Baseado em um dos sermões da série de exposições nas Epístolas Pastorais: “Oficiais da Igreja: Instrumentos da Graça Divina para a Preservação da Casa de Deus”, ministrado na Primeira Igreja Batista Reformada em Russas pelo Pr. Elivando Mesquita (#10 | 05.05.22).

Introdução

“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1Tm 3.1).

Ao iniciar o capítulo três de sua primeira carta a Timóteo, o apóstolo Paulo continua a tratar da ordem da Igreja e da preservação da casa de Deus. Se anteriormente sua preocupação esteve voltada para a relação entre homens e mulheres no contexto da liderança e do culto público (1Tm 2.11–15), agora sua atenção se concentra especificamente naqueles a quem Deus destinou o encargo de conduzir espiritualmente o Seu povo.

Contudo, é importante observar: Paulo não afirma simplesmente que a liderança da Igreja pertence aos homens. O argumento apostólico vai muito além disso. Ser homem não é suficiente.

O apóstolo estabelece, com rigor pastoral e profundidade espiritual, quais homens devem exercer tal função. Em outras palavras, a liderança da Igreja não deve ser ocupada simplesmente por disponibilidade, influência, carisma ou popularidade. Ela deve ser exercida por homens chamados, moldados e qualificados pelo próprio Senhor da Igreja (Ef 4.11–12).

A responsabilidade da Igreja, portanto, não é inventar líderes, mas reconhecê-los. Deus os chama, forma seu caráter e desperta neles um santo anseio.

A Igreja, por sua vez, identifica, confirma e se submete àquilo que Deus já realizou. Isso se torna ainda mais importante quando lembramos o contexto de Éfeso. A Igreja estava adoecida pela presença de falsos mestres, homens que desejavam posição, mas não possuíam piedade; queriam autoridade, mas desprezavam a verdade (1Tm 1.3–7).

Nesse cenário, Paulo apresenta uma lista de virtudes que deveria ser encontrada naqueles que aspirassem ao oficialato. Antes de falar sobre habilidades, ele fala sobre caráter. Antes de tratar da função, trata do homem moldado por Deus para guardar o ofício. E curiosamente, tudo começa com uma inclinação frequentemente negligenciada, especialmente em dias tão consumistas: ASPIRAÇÃO.

O Santo Anseio pelo Oficialato não deve ser Abafado

Paulo inicia dizendo: “Fiel é a palavra” (1Tm 3.1).

Essa expressão introduz uma afirmação solene, confiável e digna de plena aceitação. O que virá em seguida exige atenção da Igreja, de Timóteo e daqueles que consideram o ministério pastoral.

“Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1Tm 3.1).

A primeira observação importante encontra-se justamente na condicionalidade do texto: “se alguém”. Paulo não assume que todo homem deve desejar o ministério. Tampouco considera a aspiração como algo automático. Antes, ele convida a Igreja a colocar esse desejo sob análise. É como se dissesse: “Quando alguém demonstrar tal aspiração, observem cuidadosamente”. Isso porque nem toda aspiração é legítima.

Em Éfeso, havia homens desejando liderança, mas pelos motivos errados. Paulo já havia denunciado aqueles que “pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem” (1Tm 1.7). O problema não era o desejo em si, mas o tipo de homem que desejava e a natureza do desejo cultivado.

A aspiração, portanto, não pode ser separada da magnitude da vocação.

O termo utilizado por Paulo para “aspira” descreve um forte anseio, um impulso intenso, um desejo ardente.

Em outros contextos do Novo Testamento, palavras correlatas podem apontar para paixões desordenadas ou desejos intensos, como a cobiça pelo dinheiro (1Tm 6.10) ou desejos pecaminosos (Rm 1.27). Contudo, aqui, o contexto redefine completamente a natureza desse impulso. Trata-se de um anseio santo. Paulo não condena esse desejo. Pelo contrário, ele o afirma e o dignifica.

Existe, portanto, algo profundamente gracioso quando Deus desperta no coração de um homem uma paixão pela Igreja, um impulso persistente de servir, ensinar, cuidar, proteger e gastar-se pela Noiva de Cristo (Jo 21.15–17; At 20.28).

Esse anseio não nasce meramente da emoção. Tampouco surge da busca por reconhecimento. Ele é o resultado de uma santa semente plantada por Deus, forjando uma intensa convicção interior da qual o homem vocacionado encontra dificuldade em fugir. Há nele um peso santo, uma inclinação perseverante, uma chama que o impele ao serviço.

Não por acaso, Paulo usa o termo “episcopado”, que carrega a ideia de supervisão, cuidado e vigilância espiritual. O oficial da Igreja não é chamado para prestígio, mas para responsabilidade; não para exaltação, mas para desgaste; não para domínio, mas para serviço amoroso ao rebanho de Deus (1Pe 5.2–3).

Uma Excelente Obra, não uma Posição de Destaque

Paulo qualifica esse anseio dizendo:excelente obra almeja”.

É significativo que ele não diga: “excelente posição”, “honroso título” ou “grande privilégio”. O ministério é descrito como obra, trabalho, tarefa, dever. Isso corrige profundamente qualquer visão romantizada do ministério pastoral — exigirá sangue, suor e lágrimas.

Num contexto em que falsos mestres enxergavam o ministério como plataforma de influência, lucro ou prestígio, Paulo reposiciona o entendimento da Igreja.

Aspirar ao oficialato significa desejar trabalho árduo, sacrifício, responsabilidade e prestação de contas diante da Igreja e de Deus (Hb 13.17). O ministério não é lugar para ambiciosos carnais, mas para homens inflamados por amor a Cristo e ao Seu povo.

Ao mesmo tempo, Paulo encoraja os verdadeiramente vocacionados. Em uma Igreja marcada por divisões, oposição e conflitos, homens piedosos poderiam sentir temor de assumir liderança. Afinal, liderar significava confronto, sofrimento e exposição. Contudo, Paulo fortalece o coração desses homens: é uma excelente obra.

Observe que essa afirmação de Paulo carrega um peso extraordinário, porque, ao sair da pena do apóstolo, é concebida como o próprio Deus falando. Apesar das frustrações, injustiças, desapontamentos e ingratidões que o ministério pode oferecer, apesar de toda perda, sacrifício, isolamento e abnegação, o ministério não é derrota, mesmo quando o mundo o reputa como tal.

Ele é, conforme a própria afirmação de Deus, uma excelente obra. E é assim que todos aqueles que são verdadeiramente vocacionados o conceberão e, ainda assim, ansiarão cumprir tão honrosa missão. Estes conceberão que vale a pena gastar-se pela Igreja do Senhor. Vale a pena sofrer pela preservação da Verdade. Vale a pena dedicar a vida ao cuidado do povo de Deus.

A perseverança ministerial nasce justamente dessa aspiração santa. Nos dias difíceis, e eles certamente virão, será esse anseio colocado por Deus que sustentará o homem chamado.

Conclusão

A Igreja precisa recuperar a dignidade do oficialato bíblico. Líderes não devem ser escolhidos por conveniência, pressão, amizade, influência, carisma ou capacidade de comunicação. A Igreja deve reconhecer homens nos quais Deus implantou e despertou aspiração, formou caráter e concedeu capacitação (1Tm 3.1–7).

Além disso, as igrejas precisam cultivar um ambiente em que vocações floresçam. Jovens devem aprender que servir à Igreja do Senhor é uma honra santa. O oficialato não é um caminho de glória terrena, mas de fidelidade sacrificial.

Quando Deus coloca no coração de um homem um amor irresistível pela Noiva de Cristo, uma disposição de sofrer, servir e perseverar por ela, a Igreja não deve sufocar esse chamado, mas reconhecê-lo com temor e gratidão.

Porque, de fato, aquele que aspira ao episcopado, excelente obra almeja.

5 comentário sobre “O SANTO ANSEIO AO OFICIALATO

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      Excelente!!!

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      Excelente comentário em relação ao oficialato (episcopato)!
      Infelizmente, muitos almeja essa obra de modo egoísta, não se doado, se desgastando, derramando sangue, enfrentando feras (dragões e lobos), mas com o objetivo de ganhar o carisma e honra das pessoas, status, e viver de forma que não precisa se indispor com ninguém.
      Louvo a Deus, por homens que o Senhor concedeu um caráter e disposição no cuidado e pastoreio de seu rebanho, que realmente amam a noiva de Cristo e morrem por ela
      Deus os abençoe e os sustente.

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      O momento em que você compartilhou isso fala de modo muito particular comigo. Tenho sentido um desejo crescente e inegável de pastorear e pregar. Reconheço esse desejo em mim há mais de 15 anos, mas, apenas nestes últimos dois anos, o chamado tornou-se tão forte que já não consigo mais ignorá-lo. Ler a sua explicação realmente me ajudou, nesta manhã, a conceituar o chamado do Espírito Santo de Deus.

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      O desejo por servir à Igreja do Senhor sempre esteve em meu coração, mas confesso que o oficialato nunca foi algo muito claro para mim. Realmente é algo valoroso, se desgastar pelo Senhor, sem apego a honrarias ou títulos, é algo que deve levar a Igreja do Senhor a proteger e zelar pela vida desses homens. Nos últimos anos, tendo sido experimentado pela igreja, posso sentir um pouco da responsabilidade e o senso de dependência constante de Deus que esses homens carregam. Que mais e mais homens sejam levantados para servir à noiva de Cristo!!!

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      Num mundo onde tudo é relativo, é realmente muito pertinente que se enfatize as verdadeiras implicações do que significa ser um oficial da igreja. Isso porque nós vivemos na era da vaidade e da aparência, onde o “parecer” importa mais do que o “ser”. Quando isso acontece dentro do contexto do oficialato, homens sem vocação, vaidosos e gananciosos invadem as igrejas, ocupando o espaço e o serviço que deveria estar sendo ocupado por homens chamados por Deus. Gosto muito do trecho: “A liderança da igreja pertence aos homens, mas ser homem não é suficiente.”, pois revela o nível de profundidade e de importância desse serviço. Que Deus abençoe os verdadeiros homens chamados por Ele para essa obra tão edificante e necessária!

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