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O PERIGO DE MEDIR O CARÁTER POR NÚMEROS

O PERIGO DE MEDIR O CARÁTER POR NÚMEROS

A Base de nossa Confiança não deve ser a Capacidade de Engajamento de Alguém

24 mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. 25 E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.” (Jo 2.24–25).

Se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.” (Jo 5.31).

Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” (Gl 1.10).

Gostaria que você parasse por um instante e refletisse comigo sobre um assunto extremamente atual que tem marcado a presente geração.

Uma das estratégias deste mundo é alterar completamente os nossos valores e os critérios pelos quais medimos confiança. Somos levados a deixar de observar o caráter, os relacionamentos e o testemunho, passando a valorizar apenas números. A quantidade de seguidores que uma pessoa possui passa a determinar o seu nível de influência e condiciona a confiança que depositamos nela.

Quando adotamos essa métrica, tornamo-nos escravos de um sistema que valoriza aquilo que a Palavra de Deus despreza. A realidade atual transformou em prática um antigo ditado, segundo o qual “a voz do povo é a voz de Deus”. Esse pensamento rebaixa Deus à opinião popular, tornando-o, na prática, submisso ao povo – quando deveria ser exatamente o contrário.

Hoje, o que define se alguém é digno de confiança, se deve ter acesso ao nosso coração ou influenciar nosso modo de vida, não é o seu testemunho, nem a forma como conduz a sua família, sua capacidade técnica e intelectual, nem mesmo o seu temor do Senhor. Em vez disso, considera-se apenas a quantidade de seguidores e a sua capacidade de argumentação e engajamento.

Dessa forma, sem percebermos, somos seduzidos por esse sistema. Ao buscarmos aceitação, passamos a ser moldados aos padrões estabelecidos pela maioria, que define nossa linguagem, padrões de beleza, tendências e até preferências de consumo e entretenimento. Esse cenário abre espaço para que pessoas de caráter duvidoso e charlatães alcancem grande visibilidade.

Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas.” (Pv 1.10)

15 Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; guarda das suas veredas os pés; 16 porque os seus pés correm para o mal e se apressam a derramar sangue.” (Pv 1.15–16).

Quando isso acontece, tornamo-nos presas fáceis nas mãos de manipuladores carismáticos. Não é surpresa, portanto, que frequentemente surjam denúncias contra influenciadores por abusos, promessas não cumpridas, venda de produtos fraudulentos e outras formas de engano. No fim, nos tornamos produtos de um sistema que nós mesmos alimentamos ao transformar a popularidade em critério de caráter.

Contudo, ainda assim, mesmo diante das evidências do fracasso desse modelo mundano para medir influência e confiança, muitos continuam adotando essa métrica. Persistimos em avaliar pessoas pela sua capacidade de engajamento, confiando nelas aspectos importantes da nossa vida e família, mesmo sem termos qualquer testemunho concreto de seu caráter ou de sua competência.

Por fim, quando isso acontece, mesmo sem percebermos, demonstramos ao mundo que não temos firmeza de identidade ou personalidade, que o nosso caráter é maleável e que, no final das contas, o que realmente buscamos é a aceitação de todos.

O mundo transformou o engajamento social no principal parâmetro de felicidade e sucesso.

11 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, […] 14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Ef 4.11, 14).

1 comentário sobre “O PERIGO DE MEDIR O CARÁTER POR NÚMEROS

    • Author gravatar

      Realmente é bem nítida essa realidade. Hoje todo o sistema parece nos moldar a medir valor por números. Muitas vezes, quem recebe mais atenção são influencers que nem sempre produzem conteúdo que gera conhecimento ou edificação, mas apenas status e visibilidade. Enquanto isso, tantas pessoas capacitadas, com conteúdo relevante e vida coerente, acabam sendo invisibilizadas.

      Às vezes damos ouvidos a chamados “influencers cristãos”, colocando-os em níveis elevados, exaltando sermões e mensagens sem conhecermos verdadeiramente suas vidas. Corremos o risco de admirar apenas aquilo que é visto à distância, enquanto esquecemos de honrar aqueles que caminham conosco no chão da Igreja, que convivem diariamente, e que dão um testemunho visível e palpável de que realmente vivem aquilo que pregam.

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