{"id":729,"date":"2026-07-28T12:53:01","date_gmt":"2026-07-28T15:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/anutricaodaigreja.com\/blog\/?p=729"},"modified":"2026-07-29T12:12:27","modified_gmt":"2026-07-29T15:12:27","slug":"o-sofrimento-nao-e-racional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anutricaodaigreja.com\/blog\/o-sofrimento-nao-e-racional\/","title":{"rendered":"O SOFRIMENTO N\u00c3O \u00c9 RACIONAL"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Este artigo \u00e9 baseado na obra \u201cA Soberania de Deus no Sofrimento: uma an\u00e1lise pastoral do drama de J\u00f3\u201d, de autoria do autor, atualmente em fase editorial e ainda n\u00e3o publicada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo \u00e9 uma breve apresenta\u00e7\u00e3o do livro que analisa pastoralmente o drama de J\u00f3. Trata-se do resultado de uma pequena s\u00e9rie de serm\u00f5es pregados em nossa igreja local.<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> O tema principal concentra-se em duas realidades b\u00edblicas: a <em>Soberania de Deus<\/em> e o <em>Sofrimento Humano<\/em>. No desenvolvimento da obra, esse tema \u00e9 dividido em quatro subtemas: primeiro, o sofrimento n\u00e3o \u00e9 racional; segundo, o sofrimento insulta a nossa f\u00e9; terceiro, qual \u00e9 o verdadeiro consolo no sofrimento; e, por fim, Deus \u00e9 o Senhor do sofrimento e da vida. No presente artigo, ser\u00e1 apresentada uma s\u00edntese do primeiro ponto: o sofrimento n\u00e3o \u00e9 racional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O LIVRO DE J\u00d3: HIST\u00d3RIA E ESTRUTURA<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-columns alignwide are-vertically-aligned-center is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cHavia um homem na terra de Uz, cujo nome era J\u00f3; homem \u00edntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.\u201d (J\u00f3 1.1).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 pouca literatura que aprofunde com precis\u00e3o a \u00e9poca em que J\u00f3 viveu e em que o livro foi escrito. Possivelmente, o nome J\u00f3 significa \u201conde est\u00e1 o meu pai\u201d. Fora do pr\u00f3prio livro, o personagem \u00e9 citado apenas em <strong>Ezequiel 14<\/strong> e <strong>Tiago 5<\/strong>. Quanto \u00e0 autoria, alguns consideram <strong>Mois\u00e9s<\/strong>, que viveu por volta de 1500 a.C., ou <strong>Salom\u00e3o<\/strong>, por volta de 970 a.C., supondo que a hist\u00f3ria tenha sido transmitida oralmente at\u00e9 ser registrada por escrito. O tempo de J\u00f3 \u00e9 situado antes de <strong>Abra\u00e3o<\/strong>, provavelmente cerca de 2500 a.C., numa era pr\u00e9-patriarcal, conforme indica a linguagem patriarcal do texto. Apesar das incertezas quanto \u00e0 autoria e \u00e0 data, um fato permanece indiscut\u00edvel entre estudiosos conservadores e ortodoxos: <strong>J\u00f3 \u00e9 um relato hist\u00f3rico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O saudoso Carlos Osvaldo Cardoso Pinto estruturou o livro de forma sint\u00e9tica em tr\u00eas partes: \u201c<strong>A Trag\u00e9dia de J\u00f3<\/strong> (caps. 1 e 2); <strong>O Trauma de J\u00f3<\/strong> (caps. 3.1\u201342.6) e <strong>O Triunfo de J\u00f3<\/strong> (42.7\u201317)\u201d.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> O livro apresenta um narrador, os tr\u00eas amigos de J\u00f3, Elifaz, Zofar e Bildade, um jovem chamado Eli\u00fa \u2013 que aguarda os demais falarem por reconhecer sua pouca idade \u2013, a mulher de J\u00f3, que fala apenas uma vez, e o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>OS INCESSANTES PORQU\u00caS DE J\u00d3<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos 42 cap\u00edtulos e 1.070 vers\u00edculos do livro, encontram-se 564 questionamentos distribu\u00eddos em 258 vers\u00edculos, quase todas perguntas ret\u00f3ricas que n\u00e3o exigem respostas. Observe, por exemplo:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><em>&#8220;[&#8230;] temos recebido o bem de Deus e n\u00e3o receber\u00edamos tamb\u00e9m o mal? [&#8230;]&#8221;. (J\u00f3 2.10)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Por que n\u00e3o morri eu na madre? Por que n\u00e3o inspirei ao sair dela?&#8221; (J\u00f3 3.11)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><em>\u201cPor que esperar, se j\u00e1 n\u00e3o tenho for\u00e7as? Por que prolongar a vida, se o meu fim \u00e9 certo?\u201d (J\u00f3 6.11).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses porqu\u00eas se repetem sob diferentes formas ao longo de todo o livro. N\u00e3o parecem esperar resposta; s\u00e3o a maneira de J\u00f3 enfatizar sua dor, sua agonia, seu desespero, numa tentativa de compreender o motivo do pr\u00f3prio sofrimento. O livro, contudo, nunca lhe responde, mesmo quando o pr\u00f3prio Deus fala. O <strong>tema central<\/strong> de J\u00f3 n\u00e3o \u00e9 propriamente o sofrimento, mas aquilo que J\u00f3 aprende com ele, <strong>algo que s\u00f3 ser\u00e1 revelado a partir do cap\u00edtulo 39<\/strong>: <em>a Soberania de Deus \u00e9 incompreens\u00edvel e inescrut\u00e1vel, e nisso devemos descansar<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A CAUSA DO SOFRIMENTO QUE J\u00d3 NUNCA CONHECEU<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 concedida ao leitor uma vis\u00e3o privilegiada do drama de J\u00f3. Ele tem acesso a toda a linha do tempo de J\u00f3, aos relatos e aos acontecimentos misteriosos, informa\u00e7\u00f5es que nunca foram reveladas a J\u00f3, acontecimentos aos quais ele jamais teve acesso. Isso \u00e9 claramente percebido logo no in\u00edcio do drama, como uma forma de Deus nos ensinar que, diante dos inevit\u00e1veis questionamentos acerca do sofrimento, <strong>a f\u00e9 \u00e9 a resposta e a solu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o o entendimento do porqu\u00ea experimentamos tais dores e ang\u00fastias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observe, por exemplo, alguns dos primeiros acontecimentos misteriosos desse drama. Deus pergunta a Satan\u00e1s:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c[&#8230;] Observaste o meu servo J\u00f3? Porque ningu\u00e9m h\u00e1 na terra semelhante a ele, homem \u00edntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal.\u201d (J\u00f3 1.8)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Satan\u00e1s n\u00e3o questiona as qualidades de J\u00f3 apresentadas por Deus; ele, na verdade, <strong>insulta a honestidade de Deus<\/strong> como governador do mundo, sugerindo que a piedade de J\u00f3 \u00e9 interesseira:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c<sup>10<\/sup> Acaso, n\u00e3o o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas m\u00e3os aben\u00e7oaste, e os seus bens se multiplicaram na terra. <sup>11<\/sup> Estende, por\u00e9m, a m\u00e3o, e toca-lhe em tudo quanto tem, e ver\u00e1s se n\u00e3o blasfema contra ti na tua face.\u201d (J\u00f3 1.10\u201311).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, Deus exerce sua soberania e concede acesso a Satan\u00e1s, <strong>mas estabelece limites precisos<\/strong>, repetidos nas duas rodadas de prova\u00e7\u00e3o, poupando a vida de J\u00f3 em ambas (J\u00f3 1.12; J\u00f3 2.6). <strong>A causa do sofrimento de J\u00f3 \u00e9, portanto, clara:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size wp-block-paragraph\">J\u00f3 sofre precisamente por ser \u00edntegro e reto, alvo do insulto de Satan\u00e1s contra Deus, e n\u00e3o por pecado oculto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A MULHER DE J\u00d3 E O ABANDONO DA ESPERAN\u00c7A<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relato sobre a mulher de J\u00f3 \u00e9 bastante intrigante e pedag\u00f3gico. Veja que, depois de perder bens e filhos, restou a J\u00f3 apenas a esposa, mas ela n\u00e3o lhe trouxe consolo. No entanto, diante de tamanha experi\u00eancia de desgra\u00e7a e dor, as \u00fanicas palavras dela ao marido foram como grilh\u00f5es em seu cora\u00e7\u00e3o e em sua f\u00e9. Ela dispara:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c[&#8230;] Ainda conservas a tua integridade? Amaldi\u00e7oa a Deus e morre.\u201d (J\u00f3 2.9).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sentido de suas palavras pode ser entendido como <strong>\u201cdespede-te da tua f\u00e9 e morre\u201d<\/strong>, pois, para ela, n\u00e3o havia motivo para permanecer \u00edntegro quando nada mais restava. Embora ela fale apenas essa vez no livro, a men\u00e7\u00e3o que J\u00f3 faz dela mais adiante n\u00e3o altera o relato sobre sua postura, pois ele destaca o seu distanciamento e oposi\u00e7\u00e3o, afirmando que at\u00e9 o seu h\u00e1lito lhe \u00e9 repulsivo, express\u00e3o que indica um afastamento que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 provis\u00f3rio, mas definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como explicar tal postura?<\/strong> O mais comum \u00e9 observar as esposas t\u00e3o pr\u00f3ximas e defensoras de seus maridos, a ponto de, at\u00e9 mesmo, esconder ou defender os seus pecados. Em vez de ser para J\u00f3 um instrumento de gra\u00e7a e consolo, um dom de Deus, como diziam os puritanos, sua esposa foi como um dardo inflamado do inimigo, aumentando sua ang\u00fastia e sua dor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O SOFRIMENTO N\u00c3O TEM PADR\u00c3O<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso destacar que a hist\u00f3ria de J\u00f3 n\u00e3o deve ser tomada como um paradigma para todo o sofrimento humano; o livro n\u00e3o estabelece que todo sofrimento decorra de um insulto de Satan\u00e1s contra Deus referente a seus santos. <strong>O sofrimento n\u00e3o tem compromisso com a raz\u00e3o<\/strong>, nem com um esbo\u00e7o, um escopo ou uma estrutura fixa. Ele simplesmente acontece, em propor\u00e7\u00f5es e intensidades completamente diferentes de pessoa para pessoa, de casa para casa, de fam\u00edlia para fam\u00edlia. O sofrimento n\u00e3o \u00e9 racional.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c<sup>11<\/sup> Vi ainda debaixo do sol que n\u00e3o \u00e9 dos ligeiros o pr\u00eamio, nem dos valentes, a vit\u00f3ria, nem tampouco dos s\u00e1bios, o p\u00e3o, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; por\u00e9m tudo depende do tempo e do acaso. <sup>12<\/sup> Pois o homem n\u00e3o sabe a sua hora. Como os peixes que se apanham com a rede trai\u00e7oeira e como os passarinhos que se prendem com o la\u00e7o, assim se enredam tamb\u00e9m os filhos dos homens no tempo da calamidade, quando cai de repente sobre eles.\u201d (Ec 9.11\u201312).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o, portanto, em nossa prepara\u00e7\u00e3o para o encontro com o sofrimento, n\u00e3o diz respeito a conhecer os seus caminhos, estruturas ou meios, para que n\u00e3o sejamos surpreendidos. <strong>A quest\u00e3o \u00e9, como o sofrimento nos encontrar\u00e1:<\/strong> se dependentes e confiantes em Deus \u2013 &nbsp;n\u00e3o condicionados \u00e0s circunst\u00e2ncias \u2013, ou como aqueles que colocam nas circunst\u00e2ncias a sua felicidade e o seu consolo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O SOFRIMENTO INCOMPREENS\u00cdVEL DE CRISTO<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem mesmo o sofrimento do Senhor Jesus se restringe aos limites da nossa raz\u00e3o para que o entendamos. O brado do Senhor no jardim da dor diz muito mais sobre a sua integridade, santidade e inoc\u00eancia do que sobre o seu sofrimento:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c[&#8230;] Pai, se queres, passa de mim este c\u00e1lice; contudo, n\u00e3o se fa\u00e7a a minha vontade, e sim a tua.\u201d (Lc 22.42)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que observamos, logo em seguida, \u00e9 o surgimento de um anjo do c\u00e9u para confort\u00e1-lo, diante de t\u00e3o profunda agonia, ao ponto de seu suor ser como gotas de sangue caindo sobre a terra (Lc 22.43-44).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Assim como em J\u00f3, observamos limites<\/strong>. Aquele momento n\u00e3o foi o fim dos prop\u00f3sitos de Deus para a vida do nosso Senhor. Ele viveria um pouco mais para ser um instrumento valioso nas m\u00e3os do nosso soberano Senhor e Deus. Ainda assim, entenda:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Mesmo que a nossa vida seja poupada, isso n\u00e3o significa que a agonia ser\u00e1 retirada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>APLICA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Escritura n\u00e3o nos chama a buscar al\u00edvio nas respostas que julgamos merecer, mas a viver a esperan\u00e7a em meio \u00e0 dor. Pedro exorta:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c<sup>14<\/sup> Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justi\u00e7a, bem-aventurados sois. N\u00e3o vos amedronteis, portanto, com as suas amea\u00e7as, nem fiqueis alarmados; <sup>15<\/sup> antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso cora\u00e7\u00e3o, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir raz\u00e3o da esperan\u00e7a que h\u00e1 em v\u00f3s,\u201d (1Pe 3.14\u201315).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pedro n\u00e3o est\u00e1 simplesmente nos exortando a acumular conhecimento para uso apolog\u00e9tico. Ele est\u00e1 conclamando os crist\u00e3os a viver a esperan\u00e7a em meio \u00e0 luta e \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o, tomando o sofrimento como um instrumento de refinamento da f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paulo, completa essa reflex\u00e3o, nos ensinando a olhar a dor, n\u00e3o com os olhos da carne, mas com os da f\u00e9. Isso porque s\u00e3o os olhos da f\u00e9 que nos permitem enxergar aquilo que apenas os santos veem:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:200%\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<sup>17<\/sup> Porque a nossa leve e moment\u00e2nea tribula\u00e7\u00e3o produz para n\u00f3s eterno peso de gl\u00f3ria, acima de toda compara\u00e7\u00e3o, <sup>18<\/sup> n\u00e3o atentando n\u00f3s nas coisas que se veem, mas nas que se n\u00e3o veem; porque as que se veem s\u00e3o temporais, e as que se n\u00e3o veem s\u00e3o eternas.\u201d (2Co 4.17\u201318).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quem disse que entender o sofrimento o torna mais suport\u00e1vel? <\/strong>J\u00f3 aprendeu, ao final do seu drama, que <strong>n\u00e3o precisava entender para descansar<\/strong>. Somos chamados a confiar, n\u00e3o a compreender cada ponto e v\u00edrgula de nossa dor. Um comentarista puritano do s\u00e9culo XVII, escrevendo sobre o ser de Deus, disse:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size wp-block-paragraph\">\u201cA presen\u00e7a do Senhor \u00e9 infinita; seu brilho, insuport\u00e1vel; sua majestade, terr\u00edvel; seu dom\u00ednio, ilimitado; sua soberania, incontest\u00e1vel\u201d (Matthew Henry)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aquele que \u201c<em>Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES<\/em>\u201d (Ap 19.16), nunca abandona os seus, ainda que use meios que muitas vezes n\u00e3o compreendemos para nos ensinar e nos manter juntos a ele. Descansamos chorando, descansamos gemendo, mas descansamos, porque sabemos quem \u00e9 o nosso Senhor (Sl 46.1\u20133; Sl 62.1\u20132; 2Co 4.16\u201318; 1Pe 1.6\u20139).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Primeira Igreja Batista Reformada em Russas \u2013 CE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco &amp; desenvolvimento no Antigo Testamento. 2. ed. rev. e atual. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2014, p. 434.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo apresenta uma reflex\u00e3o pastoral sobre o sofrimento \u00e0 luz do drama de J\u00f3. 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