Artigos
INFOGRÁFICO – Teologia Bíblica Batista Pactual

INFOGRÁFICO – Teologia Bíblica Batista Pactual

O INFOGRÁFICO da Teologia Bíblica Batista Pactual expõe visualmente o Plano divino revelado nas Sagradas Escrituras acerca do relacionamento de Deus com o homem.

Conforme pode ser claramente observado, a perspectiva bíblica da pactualidade não apenas permeia, mas também estrutura toda a Confissão de Fé Batista de 1689, como destaca James Renihan ao afirmar que “a Confissão é pactual”. Renihan ainda enfatiza que “o aliancismo reconhece que a Bíblia em si é estruturada por alianças […]. Por essa razão, a Confissão nos ensina que a salvação vem a nós por meio de aliança”.[1]

Em alguns capítulos, é possível encontrar a terminologia federal explicitamente nomeada; em outros momentos, no entanto, essa perspectiva está presente em seu desenvolvimento bíblico-teológico. Percebe-se, por exemplo, uma sucessão de capítulos que alinham os pactos desde a Queda e suas consequências (Cap. VI) até a estrutura do Plano da Salvação (Caps. VII–VIII). Ao reconhecer essa espinha dorsal, Renihan a apresenta da seguinte forma:

Em Gênesis 3:15 encontramos a promessa do Pacto da Graça, e essa promessa é revelada de forma progressiva nas alianças de Deus com Noé, Abraão, Moisés e Davi até que é consumada na Nova Aliança ratificada pelo sangue de Jesus. [2] (ênfase acrescentada)

Os capítulos subsequentes ao capítulo VIII (segundo a exposição da relação pactual de Deus com o homem apresentada no capítulo VI), até o capítulo XX, tratam do cumprimento daquilo que foi estabelecido no Pacto da Redenção.[3]

Segue um breve exemplo dessa sucessão de abordagens pactuais:

Essa Aliança é revelada no Evangelho; primeiramente a Adão na promessa de salvação pela descendência da mulher (Gn 3.15), e depois por etapas sucessivas, até que a sua plena revelação foi completada no Novo Testamento (Hb 1.1); e é fundada naquela transação pactual eterna que houve entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos (2Tm 1.9; Tt 1.2); e é somente pela graça dessa Aliança que todos da posteridade do caído Adão, que já foram salvos, obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade. O homem é agora totalmente incapaz de ser aceito por Deus naqueles termos em que Adão permanecia em seu estado de inocência (Hb 11.6, 13; Rm 4.1-2; At 4.12; Jo 8.56). (CFB1689, VII.3).[4]

Aprouve a Deus, em Seu eterno propósito, e de acordo com o Pacto estabelecido entre ambos, escolher e ordenar o Senhor Jesus, Seu Filho unigênito, para ser o mediador entre Deus e os homens (Is 42.1; 1Pe 1.19-20), o profeta (At 3.22), sacerdote (Hb 5.5-6) e rei (Sl 2.6; Lc 1.33); a cabeça e salvador da Igreja (Ef 1.22-23), o herdeiro de todas as coisas (Hb 1.2), e juiz do mundo (At 17.31); a quem, desde toda a eternidade, deu um povo para ser Sua posteridade e para ser por Ele, no tempo, remido, chamado, justificado, santificado e glorificado (Is 53.10; Jo 17.6; Rm 8.30). (CFB1689, VIII.1).[5]

Portanto, visto que o enredo bíblico descreve a relação de Deus com a criatura por meio de trâmites pactuais, é de suma importância compreender corretamente essa conexão federal que o próprio Deus estabeleceu. Logo, se o desenvolvimento do relacionamento de Deus com o homem se dá por meio de pactos, torna-se imperativo conhecer a natureza e o papel de cada um deles, a fim de interpretar corretamente as Sagradas Escrituras. Conforme argumenta Pascal Denault:

[…] a teologia pactual ou teologia do pacto fornece um contexto que permite o entendimento da estrutura global do plano de redenção ao estabelecer as diferenças entre as partes e o todo e ao explicar como essas partes se inserem no todo.[6]

Pascal Denault

Essa abordagem hermenêutico-pactual sempre conferiu unidade às Sagradas Escrituras, e os intérpretes ao longo da história da Igreja, especialmente no período da Reforma e pós-Reforma, compreenderam isso muito bem. Embora, infelizmente, tenha sido esquecida por muitos irmãos e estudiosos da tradição batista, tal abordagem não ficou restrita ao passado nem confinada a minorias. Esse também é o entendimento de irmãos de outras tradições históricas, como Willem VanGemeren, ao observar que:

Durante quase quinhentos anos o conceito de aliança deu unidade à teologia reformada. A história do calvinismo revela uma consciência de unidade entre o AT e o NT, entre as várias partes da Escritura e os loci [(locais apropriados)] da teologia sistemática.[7]

Willem VanGemeren

Conforme a própria citação acima, ou seja, a partir de um teólogo pedobatista, é possível discernir pontos de contato entre tradições reformadas, ortodoxas, históricas e conservadoras. No que diz respeito à relação, revelação, ao desenvolvimento e à administração dos pactos, pedobatistas e credobatistas concordam quanto ao Pacto da Redenção e ao Pacto de Obras.

Contudo, desde os primórdios da história dos Batistas Reformados, existe uma dissonância contundente e relevante em relação ao Pacto da Graça. As duas tradições divergem na interpretação, tanto quanto à forma quanto ao momento histórico em que o Pacto da Graça é administrado no plano de Deus no que concerne à Antiga e à Nova Aliança. Conforme ressalta Pascal Denault, “[…] embora acreditassem na unidade do Pacto da Graça, […] os Batistas rejeitaram o modelo um pacto sob duas administrações”.[8] Justamente por isso, na interpretação intertestamentária do Pacto da Graça, Batistas e Pedobatistas discordam, pois tal abordagem hermenêutica impacta frontalmente suas eclesiologias.

Em síntese, os Batistas compreendem que o Pacto da Graça é administrado apenas uma vez no plano de Deus, o que ocorre exclusivamente na Nova Aliança, em Cristo Jesus. Dessa maneira, Gênesis 3.15 não pode ser compreendido como uma forma de administração desse pacto, mas como a sua revelação em forma de promessa, conforme indicado no infográfico. Logo, todo o Antigo Testamento, enquanto Antiga Aliança, revela de maneira progressiva aquilo que seria plenamente cumprido no Novo Testamento, por meio da Nova Aliança (Hb 1.1–4; 8.1–2, 6–13).

Os Batistas entendiam, portanto, o Pacto da Graça da seguinte maneira:

  • Anunciado no AT | Realizado no NT (Gn 3.15, Jr 31.31–34, Lc 22.20);
  • Parcialmente Revelado no tempo da Lei | Plenamente Revelado no tempo do Evangelho (Hb 1.1–2, Gl 3.23–25, Cl 1.26);
  • Uma Promessa futura | uma Aliança Consumada pelo sangue (Gn 12.3, Hb 9.15, Hb 9.26–28).[9]

Portanto, nos pontos em que há unidade hermenêutica entre os Reformados, isto é, na interpretação Pactual, há fortalecimento para a preservação da Teologia dos Reformadores. No entanto, essa unidade não deve descaracterizar a identidade, a confessionalidade e a distinção histórica dos Batistas Reformados. Logo, o aliancismo, também conhecido como pactualismo ou federalismo, apresenta distinções necessárias quando se trata de Batistas e Pedobatistas.


Clique no Infográfico para Ampliar:

Para melhor experiência, recomendamos acessar este conteúdo em um computador (desktop ou PC).


[1] RENIHAN, James M. Uma introdução à Confissão de Fé Batista de 1689. Tradução de Leonardo Gonzales. Francisco Morato, SP: O Estandarte de Cristo, 2020. v. 4, p. 92.

[2] Ibidem.

[3] Richard C. Barcellos, O Pacto de Obras – Suas Bases Confessionais e Bíblicas, Federalismo Batista (Estandarte de Cristo, 2019).

[4] TEIXEIRA, William. (ED.). A Fé Batista: Documentos da Fé Cristã, Bíblica, Histórica, Batista, Reformada e Confessional. Tradução: William Teixeira; Camila Rebeca Teixeira; Rafael Abreu. Francisco Morato, SP: O Estandarte de Cristo, 2020, pp. 127–128.

[5] Ibidem.

[6] DENAULT, Pascal. Os distintivos da teologia pactual batista: uma comparação entre o federalismo dos batistas particulares e dos pedobatistas do século XVII. Tradução de Rafael Júnior Abreu. Francisco Morato, SP: O Estandarte de Cristo, 2018, p. 52.

[7] VANGEMEREN, Willem. Sistemas de continuidade. In: FEINBERG, John S.; MARTINEZ, Juan Carlos (org.). Continuidade e descontinuidade: perspectivas sobre o relacionamento entre o Antigo e o Novo Testamentos. Tradução de Onofre Muniz. 1. ed. São Paulo: Hagnos, 2013, p. 37.

[8] DENAULT, Pascal. Os distintivos da teologia pactual batista: uma comparação entre o federalismo dos batistas particulares e dos pedobatistas do século XVII. Tradução de Rafael Júnior Abreu. Francisco Morato, SP: O Estandarte de Cristo, 2018, p. 83.

[9] DENAULT, Pascal. Os três pactos de Deus: pacto de obras, pacto da graça e pacto da redenção. Francisco Morato, SP: O Estandarte de Cristo, 2018. Disponível em: < https://oestandartedecristo.com/tres-pactos-de-deus-pacto-de-obras-pacto-da-graca-e-pacto-da-redencao-por-pascal-denault/ >. Acesso em: 18 dez. 2025.

5 comentário sobre “INFOGRÁFICO – Teologia Bíblica Batista Pactual

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Aviso de Direitos Autorais