
JESUS CRISTO, A VERDADEIRA LUZ DO NATAL
Artigo natalino desenvolvido a partir do esboço do sermão ministrado em 25 de dezembro de 2019, na Primeira Igreja Batista Reformada em Russas, CE.
O Natal é o único dia santo cristão que corresponde a um feriado também para aqueles que não são cristãos, como observa Tim Keller.
Nesse período, todo o Ocidente para para celebrar o Natal. Contudo, outra grande verdade é que, para a grande maioria, de fato para a maioria absoluta, o Natal é apenas uma história do tipo “era uma vez”. Para muitos, ele soa como um faz de conta.
Seria ousadia demais fazer tal afirmação?
Vejam, embora muitos observem a celebração natalina, eles não recebem a mensagem. Na verdade, essa mensagem foi completamente modificada para satisfazer as nossas necessidades. Tornou-se necessário torná-la mais palatável.
Existe um grande problema com isso!
Contudo, não importa o quanto tentemos, simplesmente não conseguiremos esconder a realidade, a verdade. A verdade é que o Natal não é uma história do tipo “era uma vez”. Na realidade, o Natal é uma história indigesta, insuportável e inconcebível. Por isso mesmo, muitos dos que o celebram não o aceitam.
O Natal nos mostra que não estamos no controle da nossa própria vida, que não temos o valor que imaginamos e nem somos tão bons quanto consideramos. Por isso, criamos algo em torno dele.
Vejam o grande anseio da humanidade nas celebrações Natalinas:
- Profundo desejo de paz, harmonia e alegria (unidade);
- Sentimentos vem à tona, acompanhados com um profundo desejo nostálgico de celebrar ao amor (compaixão);
- Uma sensação de espiritualidade e religiosidade emerge (urgência);
- Um desejo de presentear e de ajudar outros (abnegação);
- …. isso indica algo!
Considerem as músicas compostas e tocadas em torno do tema do Natal:
| Um clima de sonho se espalha no ar Pessoas se olham com brilho no olhar A gente já sente chegando o Natal É tempo de amor, todo mundo é igual Os velhos amigos irão se abraçar Os desconhecidos irão se falar E quem for criança vai olhar pro céu Fazendo pedido pro velho Noel Se a gente é capaz de espalhar alegria Se a gente é capaz de toda essa magia Eu tenho certeza que a gente podia Fazer com que fosse Natal todo dia (bis) | Um jeito mais manso de ser e falar Mais calma, mais tempo pra gente se dar Me diz porque só no Natal é assim Que bom se ele nunca tivesse mais fim Que o Natal comece no seu coração Que seja pra todos, sem ter distinção Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for O melhor presente é sempre o amor Se a gente é capaz de espalhar alegria Se a gente é capaz de toda essa magia Eu tenho certeza que a gente podia Fazer com que fosse Natal todo dia (Natal Todo Dia – Roupa Nova) |
Entendam, essa não é uma crítica excessivamente vigorosa, pois o anseio expresso nessa canção é um anseio legítimo (Sl 42.1–2). Contudo, ele acaba sendo concebido e direcionado a alvos equivocados, uma vez que o sentimentalismo e a fantasia passam a dominar o desejo, e não a realidade do que a música de fato expressa (Cl 2.8, Jr 17.9). A forma como muitos consideram o Natal e a realidade para a qual ele aponta acaba apenas nos cegando, fazendo cócegas na sensibilidade para que celebremos a emoção, sem alcançar o alvo principal de sua mensagem (2Co 4.4, Jo 1.14).
O SINAL DO SOCORRO DIVINO (Is 7):
Isaías 7 regista a profunda aflição, o grande medo e perturbação de Acaz, rei de Judá — um dos piores governantes de Judá, reinou por 16 anos. Sua biografia foi eternizada pelo terrível epitáfio: “Não fez o que era reto perante o Senhor Deus” (2Rs 16.2).
Nessa ocasião, Acaz está apavorado diante da aliança entre Império Sírio e Efraim (Israel), bem como diante do ataque que Judá acabara de sofrer, ainda que com resistência.
Acaz sai ao encontro do profeta Isaías, que até então não era ouvido. Ele busca o auxílio do Senhor para não sucumbir ao maior poder daquele mundo. Por meio de Isaías, o Senhor promete socorro, que se manifestaria na vitória do seu povo, destronando o rei sírio e frustrando a tentativa do Reino do Norte, Efraim, contra Judá.
Nos versos 7.10–11, o rei Acaz é desafiado a crer em Deus. Ele é um rei mau, um rei que não teme o Senhor. Não é simplesmente porque o medo o atormenta, nem porque as dificuldades e o risco de perder a vida e o reino estão diante dele, que automaticamente ele crerá em Deus.
A triste verdade é que muitos moribundos já rejeitaram a salvação vinda de Deus e, infelizmente, continuarão a rejeitá-la (Jo 3.18–19, Lc 16.30–31). Muitos que estão na antessala da morte, hospedados em leitos de hospitais, rejeitam a salvação porque, mesmo diante da tragédia, seus corações permanecem rígidos contra o Senhor (Êx 7.13, Hb 3.7–8)
“10 E continuou o Senhor a falar com Acaz, dizendo: 11 PEDE ao Senhor, teu Deus, um sinal, quer seja embaixo, nas profundezas, ou em cima, nas alturas” (Is 7.10–11).
Você já parou para pensar como é interessante esse tipo de disposição de Deus de colocar a si mesmo à prova. Ainda assim, o texto claramente mostra que não há limites para Deus, seja “embaixo” ou “em cima”.
Ainda veja…
Há pecado em testar a Deus! Em essência, trata-se do pecado da descrença!
É como se o homem estivesse dizendo que só confiará em Deus se Ele merecer confiança, como se Deus tivesse de provar que merece ser crido (Rm 9.20, Hb 3.12, Jo 6.30).
Contudo, o que o Senhor está fazendo aqui é expor ao próprio Acaz o seu coração endurecido e incrédulo, revelando que Acaz está disposto a fazer aliança com a Assíria, em vez de depender de Deus.
“Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor (al. Dt 6.16)” (Is 7.12).
Num primeiro momento, parece uma declaração piedosa. Na verdade, sua alusão a Deuteronômio 6.16 foi completamente removida do contexto para se acomodar aos seus fins desejados.
O termo “tentar” (Dt 6.16), faz referência a dúvida de fé e a rebelião. Quando a Escritura nos conclama a provar o Senhor, a referência não é a dúvida, mas a fé e confiança.
“Oh! PROVAI e VEDE que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl 34.8).
Ou seja, para que Acaz respondesse positivamente ao apelo de Deus, era necessária uma convicção que inspiraria essa declaração. E isso Acaz não tinha. Prova disso é que ele continua a fazer aliança com a Assíria.
Por isso, somente com o entendimento expresso em Isaías 7.12, os demais versos fazem sentido. Especialmente diante da repreensão de Isaías 7.13:
“Então, disse o profeta: OUVI, agora, ó casa de Davi: acaso, não vos basta fatigardes (abusar da paciência) os homens, mas ainda fatigais (abusar da paciência) também ao meu Deus?” (Is 7.13).
A reprovação de Isaías a Acaz é extremamente perturbadora. Porque ele revela aquilo que um coração incrédulo e cego não consegue alcançar. Ao rejeitar e não responder positivamente ao apelo de Deus, Acaz conduz toda a “casa de Davi” para a destruição.
O ato de incredulidade do rei Acaz, o representante legal do povo (representante federal), foi um pronunciamento de autonomia em relação a Deus.
“A fé cristã não é uma negociação, mas uma entrega” (Tim Keller).
Veja como isso também acontece em nossos dias conosco. Muitas vezes não medimos as consequências e o alcance de decisões imprudentes, impensadas e individualistas.
Consideramos, de forma egoística, que apenas nós seremos atingidos porque a vida é nossa, quando, na verdade, nossos cônjuges, filhos, membros da Igreja local e todos aqueles que estão ao nosso redor, com quem temos algum nível de relação e sobre os quais exercemos algum nível de influência, sempre são atingidos pelas consequências de nossas escolhas e decisões.
Por mais que sejamos reservados, é impossível sermos isolados do mundo a ponto de não atingirmos outros com a nossa imprudência.
Por isso, contrariando a falta de fé de Acaz, Deus, ainda assim, enviaria um sinal para salvar o Seu povo dos impérios poderosos que militavam contra Ele. Contudo, ao mesmo tempo em que punia a incredulidade de Acaz e daquela geração, esse sinal não teria efeito para eles.
O Sinal do Socorro divino é uma criança:
“Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel (Deus é conosco/Deus está conosco)” (Is 7.14).
É o que o anjo fala para José (Mt 1.23).
O título, não é simplesmente um nome “Emanuel (Deus é conosco/Deus está conosco)”, na verdade, ele revela um tempo de contraste com aquela época e geração, o tipo de relação que o povo deveria desfrutar com Deus, contudo, o coração endurecido não permitiu.
A pergunta é?
- Será que, com esse sinal, incrédulo o rei Acaz poderia agora crer?
- Uma criança viria como um sinal da presença e do poder de Deus para destronar impérios e salvar o Seu povo?
Pare por um instante e perceba todo o peso dessa realidade, considerando precisamente aquele contexto. Esse é um tipo de fé que homens não podem produzir.
“[…] Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores […]” (1Tm 1.15).
A OBRA DO MENINO: SER A LUZ DO MUNDO (Is 9.):
O mundo é enganoso, e a humanidade é imensamente grata por isso. Isso ocorre porque ele faz coro com o nosso coração (Jr 17.9) e, como afirmou Paulo, não há ninguém que, por si mesmo, busque a Deus, nenhum que compreenda (Rm 3).
Datas festivas como essas, celebrações calorosas e cheias de emoção, fazem-nos considerar que deveríamos ser algo que, na realidade, não somos.
O mundo cria em nós um senso de religiosidade ou espiritualidade completamente apartado do Deus verdadeiro. Criamos a impressão de que somos bons, que fazemos o bem e que vivemos em um mundo que, com os esforços de pessoas boas, pode chegar à plena felicidade. Infelizmente, não essa não é a verdade!
Por isso, o profeta Isaías descreve a missão para a qual o menino nasceu, apresentando o cenário de batalha no qual travaria a mais perturbadora guerra jamais vista.
“O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” (Is 9.2).
Precisamos compreender algo aterrador aqui. Veja como o mundo está sendo descrito nessa passagem!
- Não importa o quanto sejamos bem apresentados, somos parte de um mundo de trevas;
- Não importa o que temos ou quanto temos, nada disso pode nos fazer brilhar;
- Não importa a dieta e os exercícios que façamos, o quanto cuidamos de nossa saúde, habitamos em um lugar de degeneração, em um mundo de morte;
Somos expostos a essas realidades aterradoras e, ao mesmo tempo em que consideramos esses fatos inquestionáveis, somos assaltados pela verdade de que somente pela obra desse menino, que cresceria para consumar o plano de Deus, o Pai, somente nele podemos depositar a nossa fé e a nossa vida para termos segurança e salvação (Is 9.6–7, At 4.12, Jo 14.6).
- E, sem sombra de dúvidas, essa é uma conclamação à humilhação (Fp 2.5–8, Tg 4.10).
- O menino que nasceria para destronar reinos e salvar nações (Sl 2.7–9, Ap 11.15).
- Somente assim podemos viver apartados da escuridão em que jaz este mundo, descrito nessa graciosa Escritura como morte e miséria (Jo 8.12, Ef 2.1–5, 1Jo 5.19).
Qual é o ponto aqui?
A verdade é que não há luz neste mundo de trevas, incluindo eu e você (Jo 3.19, Rm 3.10–12). Especialmente por isso, o Senhor Jesus é a Luz, somente Ele traz a Luz (Jo 8.12, Jo 1.4–5).
“4 Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. 5 A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. 9 Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens” (Jo 1.4–5,9 | NVI).
O fato é que essa verdade é humilhante!
Um menino que viria para tirar um mundo das trevas. Ele faria isso sem levantar uma arma sequer, libertando você e a mim.
“4 Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas; 5 porque toda bota com que anda o guerreiro no tumulto da batalha e toda veste revolvida em sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo” (Is 9.4–5).
Essa libertação se estende e, de forma precisa, aponta principalmente para suas lutas, dores, prisões emocionais e espirituais. A Luz vem!
“6 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; 7 para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is 9.6–7).
Contundo, o fato ainda mais contraditório é que Ele cumprirá sua missão derramando o próprio sangue.
E, então, começamos a entender que Ele trouxe luz ao mundo, colocando sobre Si mesmo a própria escuridão dos nossos pecados.
“4 Certamente (enfatiza o enesperado), ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si (bode emissário – Lv 16.22); e nós o reputávamos (reconhecer; avaliar; pensar sobre. Como você o reputa?) por aflito, ferido de Deus e oprimido (castigado por Deus). 5 Mas (enfatiza o contraste entre ELE e NÓS) ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.4–5).
CONCLUSÃO:
Infelizmente, essa realidade o mundo tarda em compreender!
O tempo que agora vivemos é o tempo da prorrogação da misericórdia de Deus. É o tempo do retardamento do juízo divino.
“É contraditório que o mundo celebre o nascimento de Jesus, mas rejeite Sua mensagem”.
Ismael Quintero
“A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3).
A verdade perturbadora é que somente aqueles que vivem a realidade da nova vida conhecem realmente o verdadeiro significado do Natal (Jo 3.3, 2Co 5.17).
Infelizmente, todos os demais brincam com uma ilusão que, inevitavelmente, destruirá suas vidas eternamente (Mt 7.21–23, 2Ts 1.8–9).
Aqueles que não desfrutam da vida em Cristo tomam as celebrações natalinas como um ansiolítico espiritual para conceder paz às suas consciências (Jr 6.14, Jo 14.27).
Como disse Tim Keller:
“O Natal significa que o mundo não pode salvar a si mesmo”.
Excelente mensagem. Urgente em nosso tempo de tanta superficialidade e emocionalismo.
Esse texto nos faz refletir sobre o significado verdadeiro do natal, é absurdamente simples, real e firmado na palavra, não há nada de novo, nada que nos escandalize, a não ser o fato de que o mundo tem sido competamente desvidado de seu significado real. Me preocupa pensar que eu mesmo, muitas vezes, sou levado a cair nessa armadilha… Parece até que uma mentira falada muitas vezes se torna verdade, e o mundo tenta nos levar a crer nessa mentira. Um estudo como esse aumentam nossa base teológica, necessária pra responder a esse entendimento mundano equivocado.