Uma visão bíblica, intencional e prática sobre como o Senhor decidiu nutrir, edificar e fazer avançar o Seu Reino por meio de Sua Igreja no mundo.
Baseado em
WALDRON, Samuel E.; BARCELLOS, Richard C. Um manifesto Batista Reformado: a Nova Aliança como constituição da Igreja. O Estandarte de Cristo, 2022.
A soberania de Deus não anula a responsabilidade que nós temos no papel que o Senhor nos concedeu para o avanço do Reino e a edificação de Sua Igreja (Fp 2.12–13, Mt 28.19–20). O Senhor Deus revelou o caminho necessário por meio do qual nós corresponderemos aos Seus santos propósitos, cumprindo a Sua vontade e avançando com o Seu Reino, nutrindo e edificando a Noiva de Cristo Jesus (Ef 1.9–11, Ef 5.25–27). Essas responsabilidades são tanto individuais quanto corporativas (1Co 12.12–27, 1Pe 2.5).
Isso significa que aquilo que praticamos no âmbito privado também deve ser exercido e exibido em público (Mt 5.16). Ou seja, a nossa vida de santidade particular deve atingir e ser refletida também no âmbito corporativo, na vida da Igreja local (Hb 12.14, Ef 4.1–3). A nossa intencionalidade de agradar a Deus deve atingir outros, para que esses também experimentem o reflexo da nossa intencionalidade (Hb 10.24).
Isso significa dizer que nós precisamos avaliar a nossa vida em busca de piedade e santidade, não somente no âmbito individual, mas considerando como tudo isso é refletido na Igreja local (2Co 13.5). Caso contrário, a nossa própria busca por santificação e piedade terá aspectos egoístas e hipócritas, porque não será refletida no meio do povo de Deus (Mt 6.1, Tg 1.22).
Isso deve ser considerado especialmente diante do fato de que o Senhor não tem como foco apenas a minha vida em um aspecto particular para a consumação da obra de Cristo, mas a própria Noiva do Seu Filho, a Igreja (Ef 3.10–11). Isso quer dizer que, quando eu penso em uma vida que agrada a Deus, necessariamente devo considerar a Igreja local e como a minha vida contribuirá para o embelezamento da Noiva de Cristo, aquela que Ele virá buscar para o casamento eterno (Ap 19.7–8, Ef 5.27).
Tenha em mente estes conceitos ao avaliar cada ponto a seguir. Eles conectam a vida individual com a vida corporativa da Igreja e com o avanço do Reino.
A oração bíblica transcende o papel de um simples rito; é o indicador vital da autenticidade e fé da Igreja na graça soberana de Deus. A incoerência reside na profissão de crer que Deus governa todas as coisas (Soberania), mas negligenciar o meio que Ele ordenou para que Seu povo recorra a Ele (Dependência).
Paradoxalmente, a doutrina da Soberania não leva à passividade, mas à oração mais diligente e urgente. É através da oração (privada e pública) que o crente e a Igreja honram a Deus, reconhecendo Sua total dependência d'Ele para a salvação, crescimento e peregrinação no mundo.
"Uma igreja reformada que não possui uma reunião de oração bem frequentada e vibrante é uma mentira. Alguém que diz acreditar na graça soberana, mas que não é diligente na oração privada e pública é, na melhor das hipóteses, terrivelmente incoerente e, na pior delas, um hipócrita."
O Culto não pode ser moldado por estratégias de marketing ou tendências culturais visando a atração humana. Seu propósito é exclusivamente agradar a Deus, baseando-se no Princípio Regulador do Culto (CFB1689.XXII): adoração só pode incluir o que Deus explicitamente ordena na Bíblia.
Um Culto Bíblico é fundamentalmente Teo-cêntrico. Isso garante que a adoração seja reverente, santa e aceitável. Os elementos essenciais são: a leitura e a pregação da Escritura Sagrada, as orações, os sacramentos/ordenanças (Batismo e Ceia do Senhor) e cânticos bíblicos que exaltam a glória, a graça e o caráter de Deus. A fidelidade aqui supera a busca por emoção ou entretenimento mundano.
"Quando dizemos que o que não é ordenado é proibido, estamos falando da substância e das partes do culto (Veja os parágrafos 2–6), não das suas circunstâncias [...]. As igrejas podem diferir quanto ao local onde é colocada a linha entre circunstâncias, substância e partes. Desde que cada igreja se mantenha sinceramente fiel ao princípio regulador, as diferenças razoáveis não devem ser transformadas em motivos de divisão. Devemos ser caridosos com relação a essas coisas, enquanto claramente insistimos no princípio regulador."
A Pregação é o centro vital de todas as verdadeiras Igrejas e o principal meio de graça, por meio do qual Deus escolheu falar, salvar e transformar vidas. A Pregação deve ser fiel, zelosa, solene e urgente, refletindo a natureza do Evangelho e a seriedade do juízo divino.
O ministério da Palavra exige mais do que apenas explicação textual, requer aplicação prática, apaixonada e poder profético (falar a Palavra de Deus). O pregador deve ousar pregar todo o conselho de Deus (At 20.27), o que significa não evitar temas difíceis ou impopulares, mantendo-se fiel à totalidade da Revelação Bíblica, da Lei ao Evangelho. A verdade é o único motor da edificação e nutrição da Igreja.
"Não se torna evidente, quando temos uma visão panorâmica dessa história, que os períodos e eras de decadência sempre foram épocas em que a pregação havia declinado? E o que sempre pressagia o alvorecer de uma reforma ou de um avivamento? É a renovação da pregação. Não somente um novo interesse pela pregação, mas uma nova espécie de pregação. O avivamento da autêntica pregação sempre anunciou de antemão esses grandes movimentos na história da igreja."
"A Igreja local não é uma aglomeração de indivíduos autônomos, mas um corpo unido por um pacto de amor, responsabilidade e fidelidade. Esse relacionamento pactual é a base para a vida comunitária, para a disciplina bíblica, para o uso mútuo dos dons e para a perseverança na verdade."
Este é o fruto e a expressão prática dos três pilares anteriores. Quando a oração, o culto e a pregação são bíblicos e bem ordenados, eles resultam em famílias piedosas e vidas santas entre os membros, tornando-se a expressão tangível do Reino.
"A vida cristã não foi projetada para ser vivida no isolamento, mas em comunhão com outros membros do corpo. Cada crente é chamado não apenas a ser alimentado, mas a alimentar; não apenas a receber, mas a ministrar; não apenas a ser edificado, mas a edificar."
Uma congregação santa, unida e piedosa é a arma que Deus se agrada em usar para fazer o Seu Reino avançar. O progresso do Evangelho não vem de métodos extraordinários ou grandes espetáculos, mas da perseverança no trabalho árduo e pouco glamouroso da edificação diária de vidas e famílias fiéis. A eficácia reside na fidelidade aos métodos divinos, não na engenhosidade humana.
"Há ainda um lugar em que Deus está especialmente presente, mas segundo o Novo Testamento a igreja é o novo templo e as suas assembleias são o lugar da presença especial de Deus (Mt 18.20; 1Co 3.16, 14.25; Ef 2.21-22). São as assembleias desse novo templo espiritual que agora devem ser valorizadas pelo povo de Deus tanto quanto o povo de Deus no Antigo Testamento valorizava o culto no templo físico. Ambos são o lugar da presença especial de Deus (Sl 84.1, 2, 10)."
Verifique como a sua experiência de fé particular e corporativa está equilibrada e alinhada aos métodos de Deus para o avanço do Reino e a nutrição da Igreja local.
Avalie o nível de fidelidade de 1 (Baixa) a 5 (Alta).
A minha vida de oração particular e na Igreja demonstra total dependência da graça soberana de Deus?
(2Co 12.9, Hb 4.16, Ef 6.18)
Avalie o Contraste e Alinhamento entre:
O Culto apresentado por mim e por minha Igreja é moldado primariamente para agradar a Deus?
(Cl 3.16, Hb 12.28, Jo 4.23–24)
Avalie o Contraste e Alinhamento entre:
Na minha Igreja local, a pregação é zelosa, urgente e fiel, conforme a totalidade do conselho de Deus (At 20.27)? Sou um ouvinte fiel, não negligente, disponho o meu coração ao ensino, baixo a guarda (Tg 1.19, Pv 1.5)?
Avalie o Contraste e Alinhamento entre:
A vida na Igreja local demonstra, de forma visível, luta, sacrifício, intensidade e o rigor necessários para frutificar corporativamente em santidade e piedade, no exercício da perseverança, da edificação e da nutrição mútua, de acordo com o Evangelho de Cristo Jesus?
(Hb 12.14, 1Co 15.58, Ef 4.15–16, Cl 1.28–29, Fp 1.27)
Avalie o Contraste e Alinhamento entre:
Os Métodos de Deus não visam popularidade ou atração superficial, mas sim a Santidade e a Dependência (1Pe 1.15–16, 2Co 12.9). A oração, o culto, a pregação e a vida na Igreja local se combinam para formar o instrumento divinamente aprovado para o avanço do Reino através da proclamação do Evangelho no mundo (At 2.42, Rm 10.14–15, Mt 28.19–20).