
O PERIGO DE UMA VIDA SEM CONTENTAMENTO
Você sabe que perigo é esse?
Sei que você poderia citar vários. Neste momento, quem sabe, você pode até estar pensando em alguns. Mas me refiro a algo muito simples, bem notório e bastante comum, que sequer percebemos que nos atinge.
As pessoas buscam realização e satisfação com a finalidade de alcançar contentamento. Elas seguem vários caminhos, tantos quantos lhes são apresentados, mas a verdade é que, ao experimentarem as oportunidades oferecidas, simplesmente percebem que não alcançaram o contentamento.
ATENÇÃO: não é meu objetivo insultar ninguém, nem afirmar que qualquer prática citada abaixo seja reprovável ou inadequada ao crente. Apenas as utilizo para mostrar a instabilidade deste mundo e daqueles que vivem sem Cristo.
Essa reflexão surgiu numa manhã de novembro de 2024, bem cedo, enquanto fazíamos exercícios físicos. Estávamos conversando, eu, o presbítero George e o nosso personal. O personal nos abordou com a mais nova onda do momento: “agora, a moda do momento é a queda de braço“.
Naquele instante, refletimos…
- Como a moda passa e leva multidões…
- Como as pessoas simplesmente não percebem que estão sendo usadas, tratadas como criancinhas sem discernimento, como marionetes, tolas.
Como alguém pode determinar o que me fará mais bonito, mais amigável, mais ou menos aceito na sociedade? Como alguém pode, arbitrariamente, me dizer o que preencherá meu vazio e me fará feliz e, simplesmente, em pouco tempo, mudar de ideia e apontar para outro caminho?
No entanto, ainda assim, nós simplesmente aceitamos. Compramos a ideia, gastamos os nossos recursos, fazemos o novo corte, compramos as novas roupas, adotamos o novo hobby. Então, depois, simplesmente percebemos que não valeu, não foi o suficiente para preencher o vazio, ainda estamos sem contentamento, não alcançamos.
Os cristãos não são assim. Temos outros padrões, outros costumes, outra e única fonte de contentamento. Um contentamento que não é passageiro e volátil como este mundo. Ele não muda nem passa, ele é eterno. Não somos conduzidos pelo vento.
“para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Ef 4.14).
Contudo, muitos cristãos, infelizmente, são levados pela multidão e se tornam instáveis, como este mundo é. Por não viverem intencionalmente para o Senhor e para o mundo porvir, não entendem que a instabilidade deste mundo tem como combustível a falta de contentamento. E, por mais contraditório que seja, são cristãos que buscam contentamento naquilo que o mundo diz ter valor.
“Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.” (1Ts 5.6).
Faça uma breve parada nesse instante! Pense em apenas alguns meses atrás e veja quantas ondas passaram…
- Quantas vezes a moda dos cortes de cabelo mudou?
- E as roupas? Há pouco tempo estávamos nas calças femininas retrô!
- Não faz tanto tempo que houve uma chuva de atletas improvisados, com a nova onda das bicicletas. Nossas ruas estavam cheias delas. Tantas pessoas comprando bicicletas com os mais diversos preços, algumas nem condiziam com o seu salário, mas ainda assim compravam, de roupa colada e bicicleta descolada!
- Então… surgiu o CrossFit! Ah… esse se tornou quase uma religião… vários galpões foram abertos… e deram lugar às várias fraturas e contusões, e os fisioterapeutas ficaram felizes, por ver sua profissão tão valorizada e requisitada!
- Agora estamos desfrutando das quadras de vôlei e de Beach Tennis… algo meio high society. Pessoas mais descoladas e destacadas, com seu esporte sutil, delicado e sofisticado. Uma vibe diferente e estilosa;
- Juntamente com essa onda, vemos uma multidão de academias de musculação sendo abertas… todos agora tomam creatina, whey protein, cuidam do shape… a indústria de suplementos agradece e os empresários também curtemaàqueles que aproveitam as promoções, pagando o pacote de um ano de academia, mas não treinam sequer um mês inteiro.
Por fim… eu não poderia esquecer da onda das garrafinhas térmicas de água! Ahhh… quem não lembra dessa onda começando em nosso meio?!? Vejam como somos facilmente levados como uma manada pela multidão! Foi uma inundação de garrafinhas por tudo que é lado… as pessoas, simplesmente, não conseguem mais sair de casa, ir para algum evento e ficar sem beber água! Algo comum antes! Estranho, não!?!
O contraditório é que essas são as mesmas pessoas que não cuidam da saúde, nunca cuidaram… comem desregradamente, não fazem esportes, bebem refrigerantes e outras bebidas com teor absurdo de açúcar, simplesmente pensam que estão cuidando da saúde andando com suas garrafinhas para todo lado, como um adereço de ostentação. Sério??!?
O QUE MUDOU? O que mudou na biologia do ser humano? Há pouco tempo, as pessoas podiam passar toda a programação da igreja sem beber água. O QUE MUDOU? Será que não percebem que a garrafinha se tornou um consolo para aqueles que acham a igreja entediante? Para as crianças que não suportam ficar na igreja e, então, a cada cinco minutos, destampam a garrafinha para se deleitarem com, pelo menos, algum movimento?!? Sério?
Eu sei que poderíamos destacar mais e mais ondas. Veja, antes das bicicletas tivemos as corridas, mas essa também perdeu seu destaque e não conseguiu entregar, assim como todas as demais, a realização tão prometida.
Você é um cristão? Então, entenda… não somos conduzidos por modas, por modinhas, pela instabilidade de um mundo que não consegue encontrar o alvo do único e verdadeiro contentamento.
Nós já O encontramos! Não deixe esse mundo ousar pensar que pode tratar você como alguém que o deseja! Não permita que este mundo faça de você um tolo, uma massa de modelar.
“Não removas os marcos antigos que puseram teus pais.” (Pv 22.28).