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DISCERNINDO A VONTADE DE DEUS

DISCERNINDO A VONTADE DE DEUS

INTRODUÇÃO

Tiago, em sua carta, apresenta no capítulo 1 uma afirmação de clareza absoluta, tão evidente quanto a luz do sol, a respeito da origem da tentação:

“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.” (Tg 1.13)

Essa advertência é fundamental porque revela que Deus estabeleceu prioridades claras para o seu povo. É justamente a partir dessas prioridades que se torna possível discernir se determinada circunstância constitui uma provação legítima ou uma mera tentação disfarçada de oportunidade.

A VONTADE DE DEUS E AS PRIORIDADES

Deus estabeleceu prioridades para o seu povo, e é a partir delas que se torna possível saber se determinada situação é uma tentação ou uma provação. Quando alguém se encontra diante da possibilidade de ganhar mais dinheiro, mas precisa, para isso, dedicar menos tempo aos filhos e à família, a escala de prioridades estabelecida por Deus já responde à pergunta, a família vem antes do trabalho. Da mesma forma, é possível saber se uma promoção na empresa é de fato uma oportunidade dada por Deus, perguntando se ela retira algo que é prioridade divina, como o tempo com a família. Se isso ocorrer, torna se evidente que aquela oportunidade não procede de Deus.

Quando não há prioridades claras, sistemáticas e organizadas no coração, a pessoa tende a buscar respostas de outras formas, comprando vinte livros sobre como conhecer a vontade de Deus ou dedicando dez horas de oração na tentativa de descobri-la. Contudo, a vontade de Deus já foi dada há tempos e está revelada com clareza. Basta reconhecer que Deus não ofereceu um livro de ficção, mas orientações objetivas para a vida do seu povo, expressas, entre outras coisas, no compromisso e na aliança estabelecidos na vida familiar.

O PACTO COMO FUNDAMENTO DA VIDA FAMILIAR

Essa verdade que coloca a família como basilar em nossas escolhas, fica evidente nos antigos votos de casamento, presentes até em filmes, que diziam, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte os separe. Ainda que muitos repetissem essas palavras sem compreender plenamente o que estavam afirmando, elas resguardavam a ética judaico-cristã ao expressarem um compromisso pelo pacto, e não pelas circunstâncias. É pela aliança, e não pelas condições momentâneas, que a vida familiar deve ser vivida e sustentada.

A vida familiar é experimentada por si mesma, pelo valor da própria família, e não em função de fatores externos, como a possibilidade de comer determinada comida, realizar uma viagem ou os filhos terem certo brinquedo. Quando essas prioridades estão estabelecidas com clareza no coração, torna-se possível discernir com segurança aquilo que realmente provém de Deus.

A ORIGEM DA TENTAÇÃO: O PROCESSO DA COBIÇA

A partir desse princípio, o texto de Tiago 1.13 afirma que a tentação não deve ser atribuída a Deus, mas reconhecida como algo que se origina no próprio coração humano, uma vez que muitas vezes se atribui à condição de oportunidade aquilo que, na realidade, é apenas tentação motivada pelos apetites internos. Para explicar como isso ocorre, o texto descreve o processo gestacional do pecado:

14 Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. 15 Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” (Tg 1.14–15)

Tiago utiliza a figura de uma mulher sedutora encontrada no livro de Provérbios. Depois de atrair e seduzir, ou seja, de ter acesso ao coração, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, uma vez consumado e apropriado, gera a morte. Essa morte não é a morte física, mas a morte espiritual, a experiência daquilo que aconteceu no Éden, a ruptura da satisfação plena com Deus.

A partir de então, a satisfação passa a depender dos bens, das posses, das conquistas, de si mesmo e daquilo que se consegue obter, não mais de Deus. Isso porque, em Deus, um jardim era suficiente, não havia necessidade de grandes construções. Um jardim bastava, porque Deus estava ali presente.

APLICAÇÕES

  • Seja sincero ao analisar a própria vida.
    • Examine sua vida com honestidade, sem justificar ou minimizar seus erros.
    • Reconheça aquilo que precisa ser confrontado e corrigido.
  • Não fuja do combate.
    • Sem sinceridade, não haverá verdadeiro combate nem luta contra o pecado.
    • Enquanto você não reconhecer o problema, permanecerá apenas na ilusão e no engano.
  • Não engane a si mesmo.
    • Resista à tendência de criar justificativas para suas escolhas.
    • Tenha coragem para enxergar sua realidade como ela realmente é.
  • Assuma a responsabilidade pelas suas escolhas.
    • Lembre-se de que você sofrerá as consequências das decisões que toma.
    • Não transfira para outras pessoas a responsabilidade por aquilo que cabe a você decidir.
  • Considere o impacto de suas escolhas.
    • Suas decisões não afetam somente você.
    • Pense também naqueles que estão sob sua influência ou que se relacionam com você.
    • Reconheça que suas escolhas podem produzir consequências na vida de outras pessoas.

CONCLUSÃO

Discernir a vontade de Deus, portanto, não depende de acumular livros ou multiplicar horas de oração, mas de reconhecer as prioridades que Deus já estabeleceu e de viver a vida familiar pelo pacto, e não pelas circunstâncias. Reconhecer a origem da tentação no próprio coração, e não em Deus, exige sinceridade, pois dela depende tanto o combate pessoal contra o pecado quanto o cuidado com aqueles que estão sob a influência de cada um.

Assista o Recorte do Sermão:

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