Pastorais
A PEDAGOGIA DO TEMPO

A PEDAGOGIA DO TEMPO

A história é complexa. Seja quando tentamos, de forma quase profética, projetar o futuro, seja quando percebemos sua clareza ao olhar para o passado a partir de um ponto mais adiante no tempo (Ec 3.1; Sl 90.12). No entanto, tamanha complexidade realça ainda mais a importância de sua pedagogia e do quanto somos formados por ela ao longo dos dias (Sl 119.71; Rm 8.28).

Cada decisão que tomamos hoje abre inúmeras possibilidades para a construção da nossa história e da nossa família (Dt 30.19). As consequências dessas decisões não são apenas acontecimentos diretos provenientes dos erros que cometemos, mas também brechas que permanecem abertas para que o mal opere (Gl 6.7, Ef 4.27). São decisões que, muitas vezes, parecem simples, mas que carregam em si um potencial destrutivo ou restaurador (Pv 14.12).

O relato de Ezequiel 16 é poeticamente profundo (Ez 16.1–3). É um capítulo extenso, mas que vale muito a pena ser lido (2Tm 3.16). Trata-se do relato de um Pai, Rei e Marido, o próprio Deus, que foi traído (Ez 16.8; Os 2.19–20). O amor, o cuidado e a atenção dedicados à criança, à jovem, à noiva e à esposa, representando Israel, foram perversamente desprezados e desvalorizados, revelando a gravidade da infidelidade (Ez 16.15; Jr 2.32)..

Isso quer dizer que, quando não contabilizamos o agir de Deus em nossa vida para a formação da nossa história, quase sempre por meio de agentes humanos, acabamos construindo desgraça (Dt 8.10–14; Rm 1.21). Ignorar a providência divina e o cuidado que recebemos por meio de pessoas é um caminho certo de ruína espiritual e relacional (Pv 12.15; Hb 13.17).

Através de cada ato e escolha, Israel estava escrevendo a sua própria história (Ez 16.34). Quando observamos a partir de um ponto futuro, conseguimos perceber o caminho trilhado (Ec 7.8), mas, quando a experiência era vivida no presente por eles, não conseguiam ou não queriam perceber quais seriam os resultados e qual seria o fim (Is 44.18).

A falta de intencionalidade em perceber e discernir o presente custou caro ao futuro (Os 8.7).

VOCÊ PERCEBE A COMPLEXIDADE DA VIDA e a necessidade de viver de forma digna do Evangelho  (Fp 1.27, Cl 1.10)?

As variáveis são complexas demais e incontroláveis em decorrência dos erros que cometemos (Pv 20.24). Por isso, não viver de forma intencional, com propósitos claros, é verdadeira loucura (Pv 19.2). Acabamos ferindo até mesmo aqueles que mais amamos, pois as consequências e as brechas dos nossos erros invariavelmente os atingem também (Js 7.1, 10–12).

MAS ENTENDAM MEU PONTO.

Errar em um mundo que opera no erro e no engano é perigoso demais (1Jo 5.19). Nossos vacilos não passam despercebidos (Lc 8.17). O mundo observa, o inimigo se aproveita e as brechas se escancaram diante de nossas escolhas equivocadas (1Pe 5.8, Ef 4.27).

Meus amados irmãos…

  • É evidente que não estou me referindo à perfeição.
  • Deus sonda e conhece os corações e as intenções das ações (1Sm 16.7; Sl 139.1–4).
  • Isso quer dizer que erros que realmente fogem ao nosso controle não fogem ao controle de Deus (Pv 16.9). Sua providência nos preserva, e também preserva aqueles que amamos  (Sl 121.7–8). Preserva até mesmo das consequências e brechas (Rm 8.28). Isso não é maravilhoso?

► Errar aqui, portanto, significa não viver exclusivamente para agradar a Deus, em todos os sentidos e em tudo o que fazemos (Cl 3.23, 2Co 5.9).

Então, sejam intencionais diante de Deus.

A sua história está sendo construída ou destruída pelo que você faz hoje, pelas decisões que você toma hoje (Pv 4.26–27). Não permita que a omissão ou o ego tomem as suas decisões (Tg 4.17; Rm 12.16). Isso pode lhe custar muito caro (Pv 13.15). Não esteja disposto a fazer essa aposta e nem a pagar esse preço (Lc 14.28).

Que o nosso Santo e Bondoso Deus esteja com todos.

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