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JUVENTUDE – Baixa Autoestima & Falta de Desenvolvimento

JUVENTUDE – Baixa Autoestima & Falta de Desenvolvimento

Uma análise sociológica e teológica

Existe um fato muito alarmante em nossa geração atual: ela tem se tornado cada vez mais acomodada. Essa acomodação tem feito com que muitos jovens sequer consigam discernir se possuem ou não habilidades e capacidades a serem desenvolvidas (Pv 1.32).1

Esse tipo de postura, infelizmente, tem sido uma porta aberta para diversas mazelas que vêm sucateando ainda mais a nossa juventude (Pv 1.4). Por essa porta, têm entrado parasitas altamente mortais como a irresponsabilidade, a insegurança, a imaturidade e a dependência. Observe que todos esses são aspectos de escravidão — não apenas de um tipo autoimposto, ou seja, causado a si mesmos, mas também imposto àqueles que precisam suprir as falhas e ausências que eles deixam por onde passam (Pv 12.24; Gl 5.1; 2Ts 3.10-12).

► Reflita por um instante!

Você já parou para pensar, como é comum a baixa autoestima e a insegurança em nossa juventude, em contraste com o fato de que muitos deles sequer sabem qual é o propósito de suas vidas? (Rm 12.3) Qual é o seu papel na sociedade e no mundo? Em outras palavras: para que eles servem? (Ec 1.4-11)

Essa questão é muito importante, porque, quando compreendemos para que servimos, ou seja, qual é a finalidade da nossa existência, juntamente com isso encontramos realização, satisfação e propósito. E, quando há propósito, não há espaço para a baixa autoestima (Sl 100.3). Veja:

  • Você é tomado pela convicção de que possui uma função específica na sociedade!
  • Você compreende que nasceu com uma função específica logo, você encontra satisfação em exercer tal função, como uma missão.

Contudo, observe como essa compreensão se amplia de forma impactante quando você é crente, um servo de Deus! Isso porque você entende que essa percepção, na verdade, tem um nome: vocação (Ef 2.10; Gl 2.19-20; 1Pe 2.9).

Portanto, diante de toda essa elaboração existencial, simplesmente não há espaço para a baixa autoestima. A baixa autoestima é, justamente, o resultado da ausência dessa construção interior – da falta de um processo que nos conduza ao descobrimento, ao amadurecimento, e à evolução necessária para que alcancemos a percepção e a capacitação para os propósitos para os quais fomos criados. Ou seja, passamos a compreender que somos úteis para o Senhor! Entendemos que somos úteis para o Reino e também para a sociedade (Sl 139.13-16; Jr 1.5; Rm 12.1-2).

Entretanto, é natural encontrar uma juventude que, simplesmente, tem o cérebro atrofiado, a mente obsoleta — e até mesmo os músculos raquíticos. Uma juventude marcada pela preguiça, pelo enfado e pela ociosidade, inclusive naquilo que deveria ser seu ponto forte, os esportes, deu lugar à geração dos gamers.

Logo, essa juventude não se realiza em nada, porque não conhece sua própria utilidade, não tem consciência de suas capacidades e, pior, não compreende que, para encontrar prazer naquilo que se faz, é necessário, antes, trilhar o caminho do desgaste e do desconforto, até alcançar o cume, onde os prazeres das atividades e responsabilidades os aguardam (Pv 6.1-11; 13.4; 20.4; Ec 10.18).

Todavia, quando esse processo de amadurecimento e descoberta não acontece, a baixa autoestima traz consigo outras companheiras, tão escravizadoras quanto ela mesma. Com ela vêm a ansiedade, o isolamento e a depressão — marcas cada vez mais visíveis na juventude atual. Ainda assim, ressalto mais uma vez, com profundo pesar, que é natural que seja assim. Sim, é muito natural que tudo isso aconteça, quando falta propósito e consciência funcional (Ec 1.14; 2.11).

O resultado disso, no entanto, por se tratar de um processo escravizador, é de ainda mais acomodação, somada à apatia e ao desânimo. Isso, por sua vez, leva à necessidade de os pais desses jovens serem obrigados a criá-los até a idade adulta, pois como bebês, se forem soltos para a vida, morrem. Simplesmente porque não conhecem o seu papel no mundo – nutrição, preservação e proteção (Pv 19.15; 1Co 3.1-2).

► Veja como isso atinge nossas Igrejas!

Entenda que tal deficiência escravizadora de nossa juventude atinge todas as áreas da sociedade, alcançando também nossas Igrejas locais. A falta de percepção e de busca pelo desenvolvimento de suas capacidades e habilidades – não vivenciada na sociedade, no mercado de trabalho e no mundo acadêmico – chega como uma avalanche à Igreja.

Isso porque, agora, como irmãos em Cristo, muitos entendem que, se não possuem habilidades ou capacidades e competências para o mercado de trabalho, então, simplesmente, também não possuem dons para servir à Igreja do Senhor. Contudo, a Igreja carece de pessoas que sirvam e nutram o Corpo local, pois o Senhor da Igreja concedeu dons a cada um dos crentes para esse propósito (Ef 4.7-16; 1Pe 4.9-10).

Portanto, o que enxergamos em nossa juventude é uma verdadeira avalanche e um processo cíclico destrutivo. Isso resulta em ainda mais irresponsabilidade, insegurança, imaturidade e pessoas ainda mais dependentes. Mas não se trata de uma dependência que conduz à mortificação e à humilhação diante de Cristo (Jo 15.5). Pelo contrário, é uma dependência gerada por um atrofiamento espiritual, cognitivo e discernidor.

Entendam, meus amados irmãos… o que enxergamos na superfície é apenas a ponta de algo ainda mais assustador e profundo do que costumamos considerar.

  1. Baseado no Sermão: O Convite da Sabedoria I (Provérbios 9) ↩︎

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